terça-feira, 13 de novembro de 2012

Novas normas ortográficas e o esforço de mudar



 Na próxima virada de ano - se os maias estiverem errados e o mundo não acabar em 21 de dezembro, tornando vãos todos os presentes de Natal comprados - quando os fogos estiverem invadindo o céu e quem estiver em casa com a TV ligada quiser ainda mais estar em Copacabana, não serão só o ano e as promessas para o ano que mudarão. O próximo rito de passagem inclui também algo feito todos os dias, e nós não teremos que mudar somente a nossa rotina para que o horário pra academia se encaixe. Vai haver uma pequena, porém significativa, transformação na língua portuguesa. O período de transição ortográfica vai se encerrar e teremos que escrever de forma sutilmente diferente.

Ainda foram bondosos e deram quatro anos para que a mudança fosse implementada de forma gradual. Mas, como o meu professor mesmo refletiu, quem é que já têm usado essas novas normas? Ou mesmo quem que sabe quais são todas elas? Nisso eu parei e pensei sobre essas perguntas retóricas, que já insinuavam a resposta. É verdade. Eu não vejo muitas pessoas já usando as novas normas, não. O próprio Professor de Comunicação não usa. E, claro, eu também ainda não. E, francamente, lamento pelos tônicos ditongos abertos que não são mais acentuados com a mesma intensidade com a qual lamentei o rebaixamento do Plutão. Era mais do que um estar acostumada com a forma que eram - eu estimava a forma que eram.

Mesmo com a margem de tempo de quatro anos que já tivemos para nos acostumar, é uma mudança. E, como toda mudança, essa parece um pouco complicada e o que tem despertado é certa relutância e preguiça. Relutância em aprender a nova norma, o novo jeito com o qual algumas palavras serão escritas e acentuadas, em efetivamente incorporar isso na escrita e, principalmente, em reaprender o que já aprendemos, em nos conformar que o que antes fazíamos certo já não é mais considerado certo. Relutância causada pelo costume e, em alguns casos, pela estima. Relutância que vem acompanhada da preguiça, porque temos a tendência de preferir ficar mais na cama - ainda mais se em meio a um inverno curitibano! - à levantar logo pra fazer o café e começar o dia, ficar nas redes sociais online por mais tempo à fazer o trabalho (até quando o trabalho é para amanhã), usar a escada rolante à usar o movimento das pernas para subir/descer uma escada.

Mas, deixando o costume e o pequeno esforço necessário de lado e vendo a nova norma como um todo, ela é digna e tem boa intenção. Unificar a língua portuguesa vai ser melhor para o intercâmbio cultural entre as pessoas falantes dessa língua. Isso já é realidade na norma da língua espanhola escrita, através da qual todos os países usuários dessa língua a escrevem de um mesmo modo. Segundo a Folha Online, são apenas 0,5% das palavras que sofrem alteração aqui no Brasil, enquanto nos países que adotam a ortografia de Portugal a alteração tange 1,6% das palavras. Somando isso ao fato de que não há alternativa, façamos como temos que fazer em toda mudança que encaramos - nos adaptemo-nos a ela.

Camila Carbonar, estagiária de Relações Públicas da M5 Comunicação Integrada