Ainda
foram bondosos e deram quatro anos para que a mudança fosse implementada de
forma gradual. Mas, como o meu professor mesmo refletiu, quem é que já têm
usado essas novas normas? Ou mesmo quem que sabe quais são todas elas? Nisso eu
parei e pensei sobre essas perguntas retóricas, que já insinuavam a resposta. É
verdade. Eu não vejo muitas pessoas já usando as novas normas, não. O próprio
Professor de Comunicação não usa. E, claro, eu também ainda não. E,
francamente, lamento pelos tônicos ditongos abertos que não são mais acentuados
com a mesma intensidade com a qual lamentei o rebaixamento do Plutão. Era mais
do que um estar acostumada com a forma que eram - eu estimava a forma que eram.
Mesmo com
a margem de tempo de quatro anos que já tivemos para nos acostumar, é uma
mudança. E, como toda mudança, essa parece um pouco complicada e o que tem
despertado é certa relutância e preguiça. Relutância em aprender a nova norma,
o novo jeito com o qual algumas palavras serão escritas e acentuadas, em
efetivamente incorporar isso na escrita e, principalmente, em reaprender o que
já aprendemos, em nos conformar que o que antes fazíamos certo já não é mais
considerado certo. Relutância causada pelo costume e, em alguns casos, pela
estima. Relutância que vem acompanhada da preguiça, porque temos a tendência de
preferir ficar mais na cama - ainda mais se em meio a um inverno curitibano! -
à levantar logo pra fazer o café e começar o dia, ficar nas redes sociais
online por mais tempo à fazer o trabalho (até quando o trabalho é para amanhã),
usar a escada rolante à usar o movimento das pernas para subir/descer uma
escada.
Mas,
deixando o costume e o pequeno esforço necessário de lado e vendo a nova norma
como um todo, ela é digna e tem boa intenção. Unificar a língua portuguesa vai
ser melhor para o intercâmbio cultural entre as pessoas falantes dessa língua.
Isso já é realidade na norma da língua espanhola escrita, através da qual todos
os países usuários dessa língua a escrevem de um mesmo modo. Segundo a Folha
Online, são apenas 0,5% das palavras que sofrem alteração aqui no Brasil,
enquanto nos países que adotam a ortografia de Portugal a alteração tange 1,6%
das palavras. Somando isso ao fato de que não há alternativa, façamos como
temos que fazer em toda mudança que encaramos - nos adaptemo-nos a ela.
Camila Carbonar, estagiária de Relações Públicas da M5
Comunicação Integrada
Lindo texto Camila, muito bem escrito. Parabéns. =)
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